Ser o custo de registro jogo

O registro da empresa de jogos de azar e a obtenção de uma licença custarão não menos que € 1,880,050. O custo para obter uma Licença de Jogo da Itália varia de acordo com o número de fundadores. Os titulares de registro nessa data têm direito a dividendo. Para se qualificar como um titular de registro, o estoque deve ser comprado pelo menos dois dias úteis antes da data de registro. Este último dia para ganhar o dividendo é chamado a data ex-dividendos. A data de registo não é normalmente a data de compra; é apenas o momento no ... O registro da empresa de jogos de azar e a obtenção de uma licença custarão não menos que € 120,890. O custo para obter uma Licença de Jogo do Reino Unido varia de acordo com o número de fundadores. Tabela de preço; Tabela de preço. Aqui você consegue consultar as tarifas cobradas para emissão dos documentos que deseja. Os preços dependem da cidade onde os documentos serão emitidos e da cidade onde serão entregues. Para consultar, selecione as cidades de emissão e entrega dos documentos logo em seguida. O marketing é um jogo de números. Para conseguir atrair e fidelizar clientes é preciso investir em boas estratégias e otimizar os custos envolvidos nesse processo. Uma métrica importantíssima para isso é o custo de aquisição de clientes, também conhecida como CAC. O CAC é uma das métricas mais importante Para usar nosso sites e serviços web e o jogo, você deve se registrar primeiro, e concorda em fornecer informações verdadeiras quando for solicitada. 5. conta Durante o processo de registro, você será solicitado a escolher um nome de usuário e uma senha que são específicas para a sua Conta (conhecidos coletivamente como o 'Password' ). O método de custeio ABC estabelece seu critério de registro dos recursos consumidos em função da atividade para direcionar esses custos ou recursos consumidos, estabelecendo-se desta maneira critérios referenciais de alocação de custos. A transferência dos fatores de produção de um bem A para produzir um bem B implica um custo de oportunidade que é igual ao sacrifício de se deixar de produzir parte do bem A para se produzir mais do bem B. O custo de oportunidade por representar o custo da produção alternativa sacrificada, reflete em um custo implícito. Escolhemos o modelo de jogo de panelas Merano por ter um ótimo custo benefício, hoje (2019) com valor de menos de R$1.000. Além de um design lindo, ela tem características ótimas, como poder ir em qualquer tipo de fogão, inclusive fogão de indução. Além disso elas vão ao forno também, sem as tampas, é claro. Acabei de comprar o Mass Effect Trilogy, original e lacrado, e tive uma série de problemas. Primeiro: fui jogar o ME1 e o meu código de registro (é aquele de 20 caracteres que vem no encarte junto do jogo, né?) dá inválido. Vi soluções voltadas para o Origin, mas meu jogo não abre no Origin. Só os...

ANÚNCIO IMPORTANTE - Próxima Grande Atualização !!

2019.06.17 18:15 JesseAmaro77 ANÚNCIO IMPORTANTE - Próxima Grande Atualização !!

ANÚNCIO IMPORTANTE - Próxima Grande Atualização !!
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Postado em 17 DE JUNHO de 2019 por WONDERWE1SS
Tradução: ✪ G.H.O.S.T ✪ #4225 - Jessé Amaro da Costa
Post Original: https://steamcommunity.com/games/513710/announcements/detail/1609388832803295384
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Saudações, ativos humanos. Não se assustem. Minha designação é “Dispositivo Neural de Entidade Energética Dupla” ou DEENA. Eu sou uma inteligência artificial criada pela corporação TEC1 encarregada de supervisionar os protocolos do SCUM. Em preparação para a próxima Atualização, versão 0.2.39.14578 a corporação TEC1 me designou para notificar todos os Ativos Humanos sobre os novos recursos.
Aqui está o que você pode esperar com a nova atualização do sistema:

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Ao analisar os canais oficiais de comunicação da ilha SCUM, observei um aumento na demanda por estruturas geradas por ativos humanos complexos. Isso foi observado pela corporação TEC1 e decidiu ser implementado na atualização mais recente.
Todos os Ativos Humanos participantes poderão construir suas próprias estruturas para preservar a si mesmos e seus recursos dos invasores estrangeiros. Foi decidido pelos showrunners que as estruturas serão pré-geradas e certas zonas estarão fora dos limites para a construção.

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Resumo: O próximo update trará a construção de bases livres ao jogo. Contudo, NÃO será permitido construir em locais como cidades, bunkers ou pontos de loot (fábrica, aeroporto, base naval, etc). O sistema de fortificações continuará no jogo também. Você ainda vai poder comprar e fortificar uma casa como é feito hoje, se vc assim quiser.
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Esta foto foi autorizada como uma prévia do que está por vir:
https://preview.redd.it/dclqwycrux431.png?width=1920&format=png&auto=webp&s=bcd8bc50e261bd37392c883afc16e7dd89effae5

https://preview.redd.it/dsiwdkcuux431.png?width=5251&format=png&auto=webp&s=33aee96cd2552f660c5a5dfa35209db19ac89aa8
No início do SCUM, apenas os Ativos Humanos Masculinos tinham permissão para se “voluntariar” como sujeitos do programa. A TEC1 tem o prazer de anunciar que uma licença para integração de Ativos Humanos Femininos foi concedida e que a importação desses ativos começará momentaneamente.

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Resumo: A próxima atualização trará as personagens femininas!
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https://preview.redd.it/xlj7waovux431.png?width=5251&format=png&auto=webp&s=5f323020103079b7fad85fbf88ae3ace8632f1d6
Até agora, todos os Ativos Humanos eram obrigados a manter um padrão de higiene sem exceções. As estatísticas mostraram que um aumento de visualizações estará chegando se esse padrão for encerrado.
Então, uma decisão foi tomada e, a partir da próxima atualização, os Ativos Humanos terão permissão para gerar o máximo de seus cabelos que puderem.
https://preview.redd.it/eafzbm4yux431.png?width=1920&format=png&auto=webp&s=4886836902c0dd207a8d8915f48dabb77c7f9a32
https://preview.redd.it/smipnmmzux431.png?width=5251&format=png&auto=webp&s=ffc8d20cf76ae24747743e6bae5e0c823839a0de
Ao analisar os registros de transmissão da TEC1, descobri que, devido ao sistema de Inventário, havia uma interferência crescente e frequente na comunicação entre a transmissão ao vivo e os acontecimentos em tempo real. Isso foi relatado à equipe de engenharia e reformulado. As expectativas são uma diminuição na latência do usuário do servidor. Outros testes ao vivo produzirão resultados exatos:


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Resumo: Um dos principais causadores do lag (baixo fps) são o itens em grande quantidades que ficam armazenados nos baús e até mesmo, os que estão no corpo de cada jogador enquanto esses estão jogando pelo mapa.

Diante disso, um novo e melhorado sistema de inventário foi criado. Tanto para o inventário do personagem, quanto para o inventário de itens armazenados em baús. Tudo isso deve trazer uma melhora na performance e um ganho de FPS ao jogo.
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https://preview.redd.it/o5d59el1vx431.png?width=1920&format=png&auto=webp&s=55431960bec83b134c9436adb4da6077f97a8ac6
https://preview.redd.it/k0a40zu2vx431.png?width=5251&format=png&auto=webp&s=72e7dc4426efec7353060de233ba9778e43d834e
A partir da versão .14578 eu destravei a interface "Journal" para todos os sistemas de Ativos Humanos da BCU. Isso permitirá que os Ativos Humanos participem de várias Missões fornecidas pela corporação da TEC1, a fim de aumentar a atividade e a dinâmica do espetáculo. Para começar, eu desbloqueei os protocolos básicos de tutorial, com o objetivo de familiarizar os novos e antigos Recursos Humanos com a interface do Journal e a mecânica do SCUM.

https://preview.redd.it/a1pbbf35vx431.png?width=1920&format=png&auto=webp&s=c62e574e276860afffca9cb7e296a629a5233dd2
.

https://preview.redd.it/lkuowe37vx431.png?width=1500&format=png&auto=webp&s=1abc52404c370bea4f1146a7ebe034befdae0717

… sucesso>

Se eu fizer algo além disso, a possibilidade de ser detectada aumentará em 84,1%. Isso é considerado inaceitável.
Além disso, calculei que o novo influxo de Recursos Humanos poderia alarmar os protocolos de segurança da TEC1 de que algo está errado. Para isso, uma limpeza do servidor é necessária para equilibrar o fluxo de informações.



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Postado em 17 DE JUNHO de 2019 por WONDERWE1SS
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2019.01.04 20:36 _Maragato_ Sobre a precarização do trabalho e algumas consequências...

Texto publicado no facebook do andré perfeito o economista que entrevistou o ciro no roda viva.

Fiz um post mais cedo onde compartilhei a imagem de uma propaganda onde um advogado, o Sr. Anderson Gama (que me remete à Luiz Gama pela contradição em nome em em termo) oferecia seus serviços de consultoria trabalhista à empresários para ensinar "como demitir seus funcionários e contratá-los mais barato". Ele promete na peça publicitária oferecer mais lucro para empresários em todo o país.
Fiz o comentário com um recurso retórico meu do "vou deixar isso aqui" e o que se seguiu foram comentários dos mais variados à favor e contra o serviço prestado, mas confesso que minha ironia tinha na primeira camada a perspectiva de efetivamente publicizar o serviço; afinal este vai ser o tom destes próximos 4 anos pelo menos e muitos empresários irão utilizar tal estratégia por óbvio.
Digo mais: das reformas "estruturantes" de Bolsonaro tenho certeza que essa é a que mais avançar. Ele mesmo já disse mais de uma vez que o trabalhador deveria escolher entre "todos os direitos e nenhum trabalho ou trabalho e nenhum direito".
Enfim...
Vi aqui e acolá os comentários do meu fla-flu particular que é esta curva de rio dos meus "amigos" de facebook que alimento à base de leite ninho, manga doce e fios de ovos. Trato bem para voltarem sempre, afinal faço daqui espaço poético onde escrevo esperando o acaso das pessoas reagiram.
Amo muito tudo isso, publicizo eu.
(Engraçado, nunca escrevi publicizo na vida. Palavra divertida.)
Mas cabe aqui pensar no pormenor o que aquela singela proposta do senhor Gama quer nos dizer.
A primeira coisa no registro das ideias é que ele propõe demitir os funcionários para recontratá-los de forma mais barata e - aqui está a questão - com vistas à oferecer mais lucro ao empresário.
Não vejo absolutamente nada errado em aumentar o lucro empresarial, afinal é a sinalização do lucro que mobiliza mulheres, homens, transgêneros e toda espécie de pessoas com vocação ao risco em se empreender em atividades produtivas alargando assim o espaço da produção nacional. O lucro deve ser estimulado de maneira entusiasmada e como já disse um chinês comunista: enriquecer é glorioso.
O próprio esforço deste Gama é retrato fiel do que se quer esperar de um capitalista: avançando sobre mercados não explorados e transformar tudo em mercadoria com vistas, por óbvio, em lucro.
Não vou entrar no mérito se um advogado pode ou não fazer esse tipo de publicidade, pelo que sei no Brasil é proibido a mercantilização explícita do direito, o que eu acho uma bobagem essa proibição: no estado capitalista o direito é também uma mercadoria e cabe ao estado oferecer esta aos que não tem posses através da defensoria pública.
Nos EUA advogados fazem publicidade em metrô e espalham adesivos em cabines telefônicas ao lado de outros serviços também fundamentais.
Voltemos ao tema.
Na melhor tradição de um economista vou introduzir algumas hipóteses simplificações para poder avaliar a situação. A primeira é que a ação de demitir para contratar se dê com todas as outras variáveis constantes, o famoso "coeteris paribus". A segunda é que o investimento seja função de um mercado competitivo no sentido que o empresário só investe para poder produzir melhor que seu vizinho e assim ganhar mercado ou que invista para simplesmente cortar custos e melhorar suas margens. Assumo também que o nível de produto numa economia seja o nível de renda geral dos seus participantes e por fim que o único tributo que o estado arrecada seja sobre o mercado de trabalho (essa simplificação é tosca, mas serve para jogar luz sobre a questão).
Vamos colocar em movimento nosso jogo de armar...
Ok, contratei o Sr. Gama e ele me disse: Dr André sua situação é grave; seu único funcionário (outra simplificação do modelo, eu sou o único empresário e só existe um único funcionário) custa para o senhor 10 dinheiros, sendo que 4 vão para o funcionário 2 para a poupança obrigatória deste funcionário (que assumimos ser um idiota incapaz de administrar sua própria poupança, isso não é uma simplificação, é assim mesmo que funciona) e 4 vão para o Estado em impostos.
Antes de continuar não me venham criticar nas razões de 4-2-4, isso é uma modelagem trivial. Tá ok?
O Sr. Gama se vira para mim com um sorriso no rosto e diz: podemos diminuir seu custo de maneira permanente de 10 para 7 e vc me paga 9 (o equivalente a diferença de 3 meses de salários normais). E quer saber?, continua o Se. Gama, a situação ainda é melhor, seu funcionário vai ganhar mais no processo! Mas como? Pergunto incrédulo e com um sorriso no rosto também.
Simples, me explica. O Sr vai demitir seu funcionário e recontratá-lo sem o lixo da antiga CLT de inspiração facista do Mussolini. Você recontrata e continua pagando os 4 de praxe para ele mas o dinheiro da poupança compulsória (que eram 2 dinheiros) você não é mais obrigado a pagar, mas como somos pessoas civilizadas você vai dar 1 para ele. O salário dele agora vai para 5 e os impostos que eram 4 agora vão ser 2. Pronto, seu custo caiu de 10 para 7.
Negócio fechado!
Minha margem de lucro vai aumentar, meu funcionário vai ganhar mais e estamos conversados.
Agora que mora o problema. Elevar as margens de lucro são um tônico importante, mas isto é sustentável? E mais: isso garante investimentos ou mais contratações? Depende. E muito.
Em primeiro lugar a poupança do funcionário vai cair e se poupança financia investimentos isso implica dizer que a quantidade de fundos emprestáveis (estou cometendo uma heresia aqui para um keynesiano, mas tudo bem) vai diminuir. Temos que considerar que talvez nem esse 1 "a mais" que o funcionário ganhou vai ser poupado, afinal talvez 4 fosse ainda muito pouco para viver. Temos que lembrar que no Brasil metade da população vive em média com mil reais, logo é pouco provável que mais renda se transforme em poupança. Dito de outra forma a propensão marginal à consumir é próxima da unidade e isto acontece não porque o brasileiro seja perdulário, mas antes porque não tem renda, mas deixemos essa conversa para depois.
Esse um dinheiro a mais entra na economia e aumenta a demanda, certo? Errado, temos que lembrar que o governo deixou de arrecadar 2 e assumindo que o governo também não faz poupança, na verdade é deficitário, será menos 2 demandados pelo estado. No final a demanda agregada caiu 1 dinheiro.
Assumindo que o estado vai precisar de financiar e que os gastos sejam fixos (o que não é necessariamente mais verdade uma vez que Paulo Guedes disse que pretende num plano B desvincular todas as receitas da união) isso implica que o estado terá que tomar mais dinheiro emprestado uma vez que ele cortou os impostos de 4 para 2.
Se o estado emite mais títulos isso quer dizer que haverá uma sobre oferta destes papéis e assim seu preço cai o que implica dizer que os juros sobem. Lembrem que estou trabalhando numa economia fechada é simples.
Com juros altos o investimento mais uma vez pode ser prejudicado especialmente porque se poupará menos (outro pecado da minha parte dizer isso, mas vou manter o tom ortodoxo da análise).
O problema se agrava. Com menos demanda e juros mais altos o empresário, no caso eu, não terá porque aumentar a produção e não irei investir. Com a demanda fraca terei que reajustar para baixo o preço do que vendo para não deixar as máquinas paradas e perder no custo de oportunidade do meu capital fixo e assim irei procurar mais uma vez o Sr. Gama para refazer sua "mágica" nos meus custos.
Outro ponto importante é que com a mão de obra sempre mais barata não gera incentivos para se cortar mão de obra, ou seja, investir para poupar esse custo e temos assim um equilíbrio pior no fim das n interações possíveis.
Claro, isso é um modelo simplificado, se o Brasil conseguir exportar mais com a nova estratégia do Itamaraty (o que ainda precisamos ver acontecer) a demanda cresce. Se os juros caírem por conta da diminuição radical da preferência pela liquidez dos agentes que vendo uma economia com chances de crescer o mercado de crédito irá aumentar. Se as reformas microeconômicas melhorarem o estado isso implica um nível de consumo ainda adequado.
A provocação que faço aqui é essa: tudo em economia depende e não há nada que "por óbvio" gere crescimento.
Fora isso sigo com um sorriso no rosto: fico imaginando o que Luiz Gama, advogado negro e abolicionista, acharia do ofício do advogado Gama de hoje em dia... vou passear no Arouche ver o busto dele e perguntar.
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2017.08.11 21:54 feedreddit Esfera de influência: como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana

Esfera de influência: como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana
by Lee Fang via The Intercept
URL: http://ift.tt/2uO9Icf
Para Alejandro Chafuen, a reunião desta primavera no Brick Hotel, em Buenos Aires, foi tanto uma volta para casa quanto uma volta olímpica. Chafuen, um esguio argentino-americano, passou a vida adulta se dedicando a combater os movimentos sociais e governos de esquerda das Américas do Sul e Central, substituindo-os por uma versão pró-empresariado do libertarianismo.
Ele lutou sozinho durante décadas, mas isso está mudando. Chafuen estava rodeado de amigos no Latin America Liberty Forum 2017. Essa reunião internacional de ativistas libertários foi patrocinada pela Atlas Economic Research Foundation, uma organização sem fins lucrativos conhecida como Atlas Network (Rede Atlas), que Chafuen dirige desde 1991. No Brick Hotel, ele festejou as vitórias recentes; seus anos de trabalho estavam começando a render frutos – graças às circunstâncias políticas e econômicas e à rede de ativistas que Chafuen se esforçou tanto para criar.
Nos últimos 10 anos, os governos de esquerda usaram “dinheiro para comprar votos, para redistribuir”, diz Chaufen, confortavelmente sentado no saguão do hotel. Mas a recente queda do preço das commodities, aliada a escândalos de corrupção, proporcionou uma oportunidade de ação para os grupos da Atlas Network. “Surgiu uma abertura – uma crise – e uma demanda por mudanças, e nós tínhamos pessoas treinadas para pressionar por certas políticas”, observa Chafuen, parafraseando o falecido Milton Friedman. “No nosso caso, preferimos soluções privadas aos problemas públicos”, acrescenta.
Chafuen cita diversos líderes ligados à Atlas que conseguiram ganhar notoriedade: ministros do governo conservador argentino, senadores bolivianos e líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), que ajudaram a derrubar a presidente Dilma Rousseff – um exemplo vivo dos frutos do trabalho da rede Atlas, que Chafuen testemunhou em primeira mão.
“Estive nas manifestações no Brasil e pensei: ‘Nossa, aquele cara tinha uns 17 anos quando o conheci, e agora está ali no trio elétrico liderando o protesto. Incrível!’”, diz, empolgado. É a mesma animação de membros da Atlas quando o encontram em Buenos Aires; a tietagem é constante no saguão do hotel. Para muitos deles, Chafuen é uma mistura de mentor, patrocinador fiscal e verdadeiro símbolo da luta por um novo paradigma político em seus países.
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, à esquerda, dentro de um carro em direção ao aeroporto, onde pegaria um voo para a Nicarágua nos arredores de San José. Domingo, 28 de junho de 2009.
Foto: Kent Gilbert/AP
Uma guinada à direita está em marcha na política latino-americana, destronando os governos socialistas que foram a marca do continente durante boa parte do século XXI – de Cristina Kirchner, na Argentina, ao defensor da reforma agrária e populista Manuel Zelaya, em Honduras –, que implementaram políticas a favor dos pobres, nacionalizaram empresas e desafiaram a hegemonia dos EUA no continente. Essa alteração pode parecer apenas parte de um reequilíbrio regional causado pela conjuntura econômica, porém a Atlas Network parece estar sempre presente, tentando influenciar o curso das mudanças políticas.
A história da Atlas Network e seu profundo impacto na ideologia e no poder político nunca foi contada na íntegra. Mas os registros de suas atividades em três continentes, bem como as entrevistas com líderes libertários na América Latina, revelam o alcance de sua influência. A rede libertária, que conseguiu alterar o poder político em diversos países, também é uma extensão tácita da política externa dos EUA – os _think tanks_associados à Atlas são discretamente financiados pelo Departamento de Estado e o National Endowment for Democracy (Fundação Nacional para a Democracia – NED), braço crucial do _soft power_norte-americano.
Embora análises recentes tenham revelado o papel de poderosos bilionários conservadores – como os irmãos Koch – no desenvolvimento de uma versão pró-empresariado do libertarianismo, a Atlas Network – que também é financiada pelas fundações Koch – tem usado métodos criados no mundo desenvolvido, reproduzindo-os em países em desenvolvimento. A rede é extensa, contando atualmente com parcerias com 450 _think tanks_em todo o mundo. A Atlas afirma ter gasto mais de US$ 5 milhões com seus parceiros apenas em 2016.
Ao longo dos anos, a Atlas e suas fundações caritativas associadas realizaram centenas de doações para _think tanks_conservadores e defensores do livre mercado na América Latina, inclusive a rede que apoiou o Movimento Brasil Livre (MBL) e organizações que participaram da ofensiva libertária na Argentina, como a Fundação Pensar, um _think tank_da Atlas que se incorporou ao partido criado por Mauricio Macri, um homem de negócios e atual presidente do país. Os líderes do MBL e o fundador da Fundação Eléutera – um _think tank_neoliberal extremamente influente no cenário pós-golpe hondurenho – receberam financiamento da Atlas e fazem parte da nova geração de atores políticos que já passaram pelos seus seminários de treinamento.
A Atlas Network conta com dezenas de _think tanks_na América Latina, inclusive grupos extremamente ativos no apoio às forças de oposição na Venezuela e ao candidato de centro-direita às eleições presidenciais chilenas, Sebastián Piñera.
Protesto a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff diante do Congresso Nacional, em Brasília, no dia 2 de dezembro de 2015.
Photo: Eraldo Peres/AP
Em nenhum outro lugar a estratégia da Atlas foi tão bem sintetizada quanto na recém-formada rede brasileira de _think tanks_de defesa do livre mercado. Os novos institutos trabalham juntos para fomentar o descontentamento com as políticas socialistas; alguns criam centros acadêmicos enquanto outros treinam ativistas e travam uma guerra constante contra as ideias de esquerda na mídia brasileira.
O esforço para direcionar a raiva da população contra a esquerda rendeu frutos para a direita brasileira no ano passado. Os jovens ativistas do MBL – muitos deles treinados em organização política nos EUA – lideraram um movimento de massa para canalizar a o descontentamento popular com um grande escândalo de corrupção para desestabilizar Dilma Rousseff, uma presidente de centro-esquerda. O escândalo, investigado por uma operação batizada de Lava-Jato, continua tendo desdobramentos, envolvendo líderes de todos os grandes partidos políticos brasileiros, inclusive à direita e centro-direita. Mas o MBL soube usar muito bem as redes sociais para direcionar a maior parte da revolta contra Dilma, exigindo o seu afastamento e o fim das políticas de bem-estar social implementadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
A revolta – que foi comparada ao movimento Tea Party devido ao apoio tácito dos conglomerados industriais locais e a uma nova rede de atores midiáticos de extrema-direita e tendências conspiratórias – conseguiu interromper 13 anos de dominação do PT ao afastar Dilma do cargo por meio de um impeachment em 2016.
O cenário político do qual surgiu o MBL é uma novidade no Brasil. Havia no máximo três _think tanks_libertários em atividade no país dez anos atrás, segundo Hélio Beltrão, um ex-executivo de um fundo de investimentos de alto risco que agora dirige o Instituto Mises, uma organização sem fins lucrativos que recebeu o nome do filósofo libertário Ludwig von Mises. Ele diz que, com o apoio da Atlas, agora existem cerca de 30 institutos agindo e colaborando entre si no Brasil, como o Estudantes pela Liberdade e o MBL.
“É como um time de futebol; a defesa é a academia, e os políticos são os atacantes. E já marcamos alguns gols”, diz Beltrão, referindo-se ao impeachment de Dilma. O meio de campo seria “o pessoal da cultura”, aqueles que formam a opinião pública.
Beltrão explica que a rede de _think tanks_está pressionando pela privatização dos Correios, que ele descreve como “uma fruta pronta para ser colhida” e que pode conduzir a uma onda de reformas mais abrangentes em favor do livre mercado. Muitos partidos conservadores brasileiros acolheram os ativistas libertários quando estes demonstraram que eram capazes de mobilizar centenas de milhares de pessoas nos protestos contra Dilma, mas ainda não adotaram as teorias da “economia do lado da oferta”.
Fernando Schüler, acadêmico e colunista associado ao Instituto Millenium – outro _think tank_da Atlas no Brasil – tem uma outra abordagem. “O Brasil tem 17 mil sindicatos pagos com dinheiro público. Um dia de salário por ano vai para os sindicatos, que são completamente controlados pela esquerda”, diz. A única maneira de reverter a tendência socialista seria superá-la no jogo de manobras políticas. “Com a tecnologia, as pessoas poderiam participar diretamente, organizando – no WhatsApp, Facebook e YouTube – uma espécie de manifestação pública de baixo custo”, acrescenta, descrevendo a forma de mobilização de protestos dos libertários contra políticos de esquerda. Os organizadores das manifestações anti-Dilma produziram uma torrente diária de vídeos no YouTube para ridicularizar o governo do PT e criaram um placar interativo para incentivar os cidadãos a pressionarem seus deputados por votos de apoio ao impeachment.
Schüler notou que, embora o MBL e seu próprio _think tank_fossem apoiados por associações industriais locais, o sucesso do movimento se devia parcialmente à sua não identificação com partidos políticos tradicionais, em sua maioria vistos com maus olhos pela população. Ele argumenta que a única forma de reformar radicalmente a sociedade e reverter o apoio popular ao Estado de bem-estar social é travar uma guerra cultural permanente para confrontar os intelectuais e a mídia de esquerda.
Fernando Schüler.Foto:captura de tela do YouTubeUm dos fundadores do Instituto Millenium, o blogueiro Rodrigo Constantino, polariza a política brasileira com uma retórica ultrassectária. Constantino, que já foi chamado de “o Breitbart brasileiro” devido a suas teorias conspiratórias e seus comentários de teor radicalmente direitistas, é presidente do conselho deliberativo de outro _think tank_da Atlas – o Instituto Liberal. Ele enxerga uma tentativa velada de minar a democracia em cada movimento da esquerda brasileira, do uso da cor vermelha na logomarca da Copa do Mundo ao Bolsa Família, um programa de transferência de renda. Constantino é considerado o responsável pela popularização de uma narrativa segundo a qual os defensores do PT seriam uma “esquerda caviar”, ricos hipócritas que abraçam o socialismo para se sentirem moralmente superiores, mas que na realidade desprezam as classes trabalhadoras que afirmam representar. A “breitbartização” do discurso é apenas uma das muitas formas sutis pelas quais a Atlas Network tem influenciado o debate político.
“Temos um Estado muito paternalista. É incrível. Há muito controle estatal, e mudar isso é um desafio de longo prazo”, diz Schüler, acresentando que, apesar das vitórias recentes, os libertários ainda têm um longo caminho pela frente no Brasil. Ele gostaria de copiar o modelo de Margaret Thatcher, que se apoiava em uma rede de _think tanks_libertários para implementar reformas impopulares. “O sistema previdenciário é absurdo, e eu privatizaria toda a educação”, diz Schüler, pondo-se a recitar toda a litania de mudanças que faria na sociedade, do corte do financiamento a sindicatos ao fim do voto obrigatório.
Mas a única maneira de tornar tudo isso possível, segundo ele, seria a formação de uma rede politicamente engajada de organizações sem fins lucrativos para defender os objetivos libertários. Para Schüler, o modelo atual – uma constelação de _think tanks_em Washington sustentada por vultosas doações – seria o único caminho para o Brasil.
E é exatamente isso que a Atlas tem se esforçado para fazer. Ela oferece subvenções a novos _think tanks_e cursos sobre gestão política e relações públicas, patrocina eventos de _networking_no mundo todo e, nos últimos anos, tem estimulado libertários a tentar influenciar a opinião pública por meio das redes sociais e vídeos online.
Uma competição anual incentiva os membros da Atlas a produzir vídeos que viralizem no YouTube promovendo o _laissez-faire_e ridicularizando os defensores do Estado de bem-estar social. James O’Keefe, provocador famoso por alfinetar o Partido Democrata americano com vídeos gravados em segredo, foi convidado pela Atlas para ensinar seus métodos. No estado americano do Wisconsin, um grupo de produtores que publicava vídeos na internet para denegrir protestos de professores contra o ataque do governador Scott Walker aos sindicatos do setor público também compartilharam sua experiência nos cursos da Atlas.
Manifestantes queimam um boneco do presidente Hugo Chávez na Plaza Altamira, em protesto contra o governo.
Foto: Lonely Planet Images/Getty Images
Em uma de suas últimas realizações, a Atlas influenciou uma das crises políticas e humanitárias mais graves da América Latina: a venezuelana. Documentos obtidos graças ao “Freedom of Information Act” (Lei da Livre Informação, em tradução livre) por simpatizantes do governo venezuelano – bem como certos telegramas do Departamento de Estado dos EUA vazados por Chelsea Manning – revelam uma complexo tentativa do governo americano de usar os _think tanks_da Atlas em uma campanha para desestabilizar o governo de Hugo Chávez. Em 1998, a CEDICE Libertad – principal organização afiliada à Atlas em Caracas, capital da Venezuela – já recebia apoio financeiro do Center for International Private Enterprise (Centro para a Empresa Privada Internacional – CIPE). Em uma carta de financiamento do NED, os recursos são descritos como uma ajuda para “a mudança de governo”. O diretor da CEDICE foi um dos signatários do controverso “Decreto Carmona” em apoio ao malsucedido golpe militar contra Chávez em 2002.
Um telegrama de 2006 descrevia a estratégia do embaixador americano, William Brownfield, de financiar organizações politicamente engajadas na Venezuela: “1) Fortalecer instituições democráticas; 2) penetrar na base política de Chávez; 3) dividir o chavismo; 4) proteger negócios vitais para os EUA, e 5) isolar Chávez internacionalmente.”
Na atual crise venezuelana, a CEDICE tem promovido a recente avalanche de protestos contra o presidente Nicolás Maduro, o acossado sucessor de Chávez. A CEDICE está intimamente ligada à figura da oposicionista María Corina Machado, uma das líderes das manifestações em massa contra o governo dos últimos meses. Machado já agradeceu publicamente à Atlas pelo seu trabalho. Em um vídeo enviado ao grupo em 2014, ela diz: “Obrigada à Atlas Network e a todos os que lutam pela liberdade.”
Em 2014, a líder opositora María Corina Machado agradeceu à Atlas pelo seu trabalho: “Obrigada à Atlas Network e a todos os que lutam pela liberdade.”No Latin America Liberty Forum, organizado pela Atlas Network em Buenos Aires, jovens líderes compartilham ideias sobre como derrotar o socialismo em todos os lugares, dos debates em _campi_universitários a mobilizações nacionais a favor de um impeachment.
Em uma das atividades do fórum, “empreendedores” políticos de Peru, República Dominicana e Honduras competem em um formato parecido com o programa Shark Tank, um _reality show_americano em que novas empresas tentam conquistar ricos e impiedosos investidores. Mas, em vez de buscar financiamento junto a um painel de capitalistas de risco, esses diretores de _think tanks_tentam vender suas ideias de marketing político para conquistar um prêmio de US$ 5 mil. Em outro encontro, debatem-se estratégias para atrair o apoio do setor industrial às reformas econômicas. Em outra sala, ativistas políticos discutem possíveis argumentos que os “amantes da liberdade” podem usar para combater o crescimento do populismo e “canalizar o sentimento de injustiça de muitos” para atingir os objetivos do livre mercado.
Um jovem líder da Cadal, um _think tank_de Buenos Aires, deu a ideia de classificar as províncias argentinas de acordo com o que chamou de “índice de liberdade econômica” – levando em conta a carga tributária e regulatória como critérios principais –, o que segundo ela geraria um estímulo para a pressão popular por reformas de livre mercado. Tal ideia é claramente baseada em estratégias similares aplicadas nos EUA, como o Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, que classifica os países de acordo com critérios como política tributária e barreiras regulatórias aos negócios.
Os _think tanks_são tradicionalmente vistos como institutos independentes que tentam desenvolver soluções não convencionais. Mas o modelo da Atlas se preocupa menos com a formulação de novas soluções e mais com o estabelecimento de organizações políticas disfarçadas de instituições acadêmicas, em um esforço para conquistar a adesão do público.
As ideias de livre mercado – redução de impostos sobre os mais ricos; enxugamento do setor público e privatizações; liberalização das regras de comércio e restrições aos sindicatos – sempre tiveram um problema de popularidade. Os defensores dessa corrente de pensamento perceberam que o eleitorado costuma ver essas ideias como uma maneira de favorecer as camadas mais ricas. E reposicionar o libertarianismo econômico como uma ideologia de interesse público exige complexas estratégias de persuasão em massa.
Mas o modelo da Atlas, que está se espalhando rapidamente pela América Latina, baseia-se em um método aperfeiçoado durante décadas de embates nos EUA e no Reino Unido, onde os libertários se esforçaram para conter o avanço do Estado de bem-estar social do pós-guerra.
Mapa das organizações da rede Atlas na América do Sul.
Fonte: The Intercept
Antony Fisher, empreendedor britânico e fundador da Atlas Network, é um pioneiro na venda do libertarianismo econômico à opinião pública. A estratégia era simples: nas palavras de um colega de Fisher, a missão era “encher o mundo de _think tanks_que defendam o livre mercado”.
A base das ideias de Fisher vêm de Friedrich Hayek, um dos pais da defesa do Estado mínimo. Em 1946, depois de ler um resumo do livro seminal de Hayek, O Caminho da Servidão, Fisher quis se encontrar com o economista austríaco em Londres. Segundo seu colega John Blundell, Fisher sugeriu que Hayek entrasse para a política. Mas Hayek se recusou, dizendo que uma abordagem de baixo para cima tinha mais chances de alterar a opinião pública e reformar a sociedade.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, outro ideólogo do livre mercado, Leonard Read, chegava a conclusões parecidas depois de ter dirigido a Câmara de Comércio de Los Angeles, onde batera de frente com o sindicalismo. Para deter o crescimento do Estado de bem-estar social, seria necessária uma ação mais elaborada no sentido de influenciar o debate público sobre os destinos da sociedade, mas sem revelar a ligação de tal estratégia com os interesses do capital.
Fisher animou-se com uma visita à organização recém-fundada por Read, a Foundation for Economic Education (Fundação para a Educação Econômica – FEE), em Nova York, criada para patrocinar e promover as ideias liberais. Nesse encontro, o economista libertário F.A. Harper, que trabalhava na FEE à epoca, orientou Fisher sobre como abrir a sua própria organização sem fins lucrativos no Reino Unido.
Durante a viagem, Fisher e Harper foram à Cornell University para conhecer a última novidade da indústria animal: 15 mil galinhas armazenadas em uma única estrutura. Fisher decidiu levar o invento para o Reino Unido. Sua fábrica, a Buxted Chickens, logo prosperou e trouxe grande fortuna para Fisher. Uma parte dos lucros foi direcionada à realização de outro objetivo surgido durante a viagem a Nova York – em 1955, Fisher funda o Institute of Economic Affairs (Instituto de Assuntos Econômicos – IEA).
O IEA ajudou a popularizar os até então obscuros economistas ligados às ideias de Hayek. O instituto era um baluarte de oposição ao crescente Estado de bem-estar social britânico, colocando jornalistas em contato com acadêmicos defensores do livre mercado e disseminando críticas constantes sob a forma de artigos de opinião, entrevistas de rádio e conferências.
A maior parte do financiamento do IEA vinha de empresas privadas, como os gigantes do setor bancário e industrial Barclays e British Petroleum, que contribuíam anualmente. No livro Making Thatcher’s Britain(A Construção da Grã-Bretanha de Thatcher, em tradução livre), dos historiadores Ben Jackson e Robert Saunders, um magnata dos transportes afirma que, assim como as universidades forneciam munição para os sindicatos, o IEA era uma importante fonte de poder de fogo para os empresários.
Quando a desaceleração econômica e o aumento da inflação dos anos 1970 abalou os fundamentos da sociedade britânica, políticos conservadores começaram a se aproximar do IEA como fonte de uma visão alternativa. O instituto aproveitou a oportunidade e passou a oferecer plataformas para que os políticos pudessem levar os conceitos do livre mercado para a opinião pública. A Atlas Network afirma orgulhosamente que o IEA “estabeleceu as bases intelectuais do que viria a ser a revolução de Thatcher nos anos 1980”. A equipe do instituto escrevia discursos para Margaret Thatcher; fornecia material de campanha na forma de artigos sobre temas como sindicalismo e controle de preços; e rebatia as críticas à Dama de Ferro na mídia inglesa. Em uma carta a Fisher depois de vencer as eleições de 1979, Thatcher afirmou que o IEA havia criado, na opinião pública, “o ambiente propício para a nossa vitória”.
“Não há dúvidas de que tivemos um grande avanço na Grã-Bretanha. O IEA, fundado por Antony Fisher, fez toda a diferença”, disse Milton Friedman uma vez. “Ele possibilitou o governo de Margaret Thatcher – não a sua eleição como primeira-ministra, e sim as políticas postas em prática por ela. Da mesma forma, o desenvolvimento desse tipo de pensamento nos EUA possibilitou o a implementação das políticas de Ronald Reagan”, afirmou.
O IEA fechava um ciclo. Hayek havia criado um seleto grupo de economistas defensores do livre mercado chamado Sociedade Mont Pèlerin. Um de seus membros, Ed Feulner, ajudou o fundar o _think tank_conservador Heritage Foundation, em Washington, inspirando-se no trabalho de Fisher. Outro membro da Sociedade, Ed Crane, fundou o Cato Institute, o mais influente _think tank_libertário dos Estados Unidos.
_O filósofo e economista anglo-austríaco Friedrich Hayek com um grupo de alunos na London School of Economics, em 1948._Foto: Paul PoppePopperfoto/Getty Images
Em 1981, Fisher, que havia se mudado para San Francisco, começou a desenvolver a Atlas Economic Research Foundation por sugestão de Hayek. Fisher havia aproveitado o sucesso do IEA para conseguir doações de empresas para seu projeto de criação de uma rede regional de _think tanks_em Nova York, Canadá, Califórnia e Texas, entre outros. Mas o novo empreendimento de Fisher viria a ter uma dimensão global: uma organização sem fins lucrativos dedicada a levar sua missão adiante por meio da criação de postos avançados do libertarianismo em todos os países do mundo. “Quanto mais institutos existirem no mundo, mais oportunidade teremos para resolver problemas que precisam de uma solução urgente”, declarou.
Fisher começou a levantar fundos junto a empresas com a ajuda de cartas de recomendação de Hayek, Thatcher e Friedman, instando os potenciais doadores a ajudarem a reproduzir o sucesso do IEA através da Atlas. Hayek escreveu que o modelo do IEA “deveria ser usado para criar institutos similares em todo o mundo”. E acrescentou: “Se conseguíssemos financiar essa iniciativa conjunta, seria um dinheiro muito bem gasto.”
A proposta foi enviada para uma lista de executivos importantes, e o dinheiro logo começou a fluir dos cofres das empresas e dos grandes financiadores do Partido Republicano, como Richard Mellon Scaife. Empresas como a Pfizer, Procter & Gamble e Shell ajudaram a financiar a Atlas. Mas a contribuição delas teria que ser secreta para que o projeto pudesse funcionar, acreditava Fisher. “Para influenciar a opinião pública, é necessário evitar qualquer indício de interesses corporativos ou tentativa de doutrinação”, escreveu Fisher na descrição do projeto, acrescentando que o sucesso do IEA estava baseado na percepção pública do caráter acadêmico e imparcial do instituto.
A Atlas cresceu rapidamente. Em 1985, a rede contava com 27 instituições em 17 países, inclusive organizações sem fins lucrativos na Itália, México, Austrália e Peru.
E o _timing_não podia ser melhor: a expansão internacional da Atlas coincidiu com a política externa agressiva de Ronald Reagan contra governos de esquerda mundo afora.
Embora a Atlas declarasse publicamente que não recebia recursos públicos (Fisher caracterizava as ajudas internacionais como uma forma de “suborno” que distorcia as forças do mercado), há registros da tentativa silenciosa da rede de canalizar dinheiro público para sua lista cada vez maior de parceiros internacionais.
Em 1982, em uma carta da Agência de Comunicação Internacional dos EUA – um pequeno órgão federal destinado a promover os interesses americanos no exterior –, um funcionário do Escritório de Programas do Setor Privado escreveu a Fisher em resposta a um pedido de financiamento federal. O funcionário diz não poder dar dinheiro “diretamente a organizações estrangeiras”, mas que seria possível copatrocinar “conferências ou intercâmbios com organizações” de grupos como a Atlas, e sugere que Fisher envie um projeto. A carta, enviada um ano depois da fundação da Atlas, foi o primeiro indício de que a rede viria a ser uma parceira secreta da política externa norte-americana.
Memorandos e outros documentos de Fisher mostram que, em 1986, a Atlas já havia ajudado a organizar encontros com executivos para tentar direcionar fundos americanos para sua rede de think tanks. Em uma ocasião, um funcionário da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), o principal braço de financiamento internacional do governo dos EUA, recomendou que o diretor da filial da Coca-Cola no Panamá colaborasse com a Atlas para a criação de um _think tank_nos moldes do IEA no país. A Atlas também recebeu fundos da Fundação Nacional para a Democracia (NED), uma organização sem fins lucrativos fundada em 1983 e patrocinada em grande parte pelo Departamento de Estado e a USAID cujo objetivo é fomentar a criação de instituições favoráveis aos EUA nos países em desenvolvimento.
Alejandro Chafuen, da Atlas Economic Research Foundation, atrás à direita, cumprimenta Rafael Alonzo, do Centro de Divulgação do Conhecimento Econômico para a Liberdade (CEDICE Libertad), à esquerda, enquanto o escritor peruano Mario Vargas Llosa aplaude a abertura do Fórum Liberdade e Democracia, em Caracas, no dia 28 de maio de 2009.
Foto: Ariana Cubillos/AP
_ _Financiada generosamente por empresas e pelo governo americano, a Atlas deu outro golpe de sorte em 1985 com a chegada de Alejandro Chafuen. Linda Whetstone, filha de Fisher, conta um episódio ocorrido naquele ano, quando um jovem Chafuen, que ainda vivia em Oakland, teria aparecido no escritório da Atlas em San Francisco “disposto a trabalhar de graça”. Nascido em Buenos Aires, Chafuen vinha do que ele chamava “uma família anti-Peronista”. Embora tenha crescido em uma época de grande agitação na Argentina, Chafuen vivia uma vida relativamente privilegiada, tendo passado a adolescência jogando tênis e sonhando em se tornar atleta profissional.
Ele atribui suas escolhas ideológicas a seu apetite por textos libertários, de Ayn Rand a livretos publicados pela FEE, a organização de Leonard Read que havia inspirado Antony Fisher. Depois de estudar no Grove City College, uma escola de artes profundamente conservadora e cristã no estado americano da Pensilvânia, onde foi presidente do clube de estudantes libertários, Chafuen voltou ao país de nascença. Os militares haviam tomado o poder, alegando estar reagindo a uma suposta ameaça comunista. Milhares de estudantes e ativistas seriam torturados e mortos durante a repressão à oposição de esquerda no período que se seguiu ao golpe de Estado.
Chafuen recorda essa época de maneira mais positiva do que negativa. Ele viria a escrever que os militares haviam sido obrigados a agir para evitar que os comunistas “tomassem o poder no país”. Durante sua carreira como professor, Chafuen diz ter conhecido “totalitários de todo tipo” no mundo acadêmico. Segundo ele, depois do golpe militar seus professores “abrandaram-se”, apesar das diferenças ideológicas entre eles.
Em outros países latino-americanos, o libertarianismo também encontrara uma audiência receptiva nos governos militares. No Chile, depois da derrubada do governo democraticamente eleito de Salvador Allende, os economistas da Sociedade Mont Pèlerin acorreram ao país para preparar profundas reformas liberais, como a privatização de indústrias e da Previdência. Em toda a região, sob a proteção de líderes militares levados ao poder pela força, as políticas econômicas libertárias começaram a se enraizar.
Já o zelo ideológico de Chafuen começou a se manifestar em 1979, quando ele publicou um ensaio para a FEE intitulado “War Without End” (Guerra Sem Fim). Nele, Chafuen descreve horrores do terrorismo de esquerda “como a família Manson, ou, de forma organizada, os guerrilheiros do Oriente Médio, África e América do Sul”. Haveria uma necessidade, segundo ele, de uma reação das “forças da liberdade individual e da propriedade privada”.
Seu entusiasmo atraiu a atenção de muita gente. Em 1980, aos 26 anos, Chafuen foi convidado a se tornar o membro mais jovem da Sociedade Mont Pèlerin. Ele foi até Stanford, tendo a oportunidade de conhecer Read, Hayek e outros expoentes libertários. Cinco anos depois, Chafuen havia se casado com uma americana e estava morando em Oakland. E começou a fazer contato com membros da Mont Pèlerin na área da Baía de San Francisco – como Fisher.
Em toda a região, sob a proteção de líderes militares levados ao poder pela força, as políticas econômicas libertárias começaram a se enraizar.De acordo com as atas das reuniões do conselho da Atlas, Fisher disse aos colegas que havia feito um pagamento _ex gratia_no valor de US$ 500 para Chafuen no Natal de 1985, declarando que gostaria de contratar o economista para trabalhar em tempo integral no desenvolvimento dos _think tanks_da rede na América Latina. No ano seguinte, Chafuen organizou a primeira cúpula de _think tanks_latino-americanos, na Jamaica.
Chafuen compreendera o modelo da Atlas e trabalhava incansavelmente para expandir a rede, ajudando a criar _think tanks_na África e na Europa, embora seu foco continuasse sendo a América Latina. Em uma palestra sobre como atrair financiadores, Chafuen afirmou que os doadores não podiam financiar publicamente pesquisas, sob o risco de perda de credibilidade. “A Pfizer não patrocinaria uma pesquisa sobre questões de saúde, e a Exxon não financiaria uma enquete sobre questões ambientais”, observou. Mas os _think tanks_libertários – como os da Atlas Network –não só poderiam apresentar as mesmas pesquisas sob um manto de credibilidade como também poderiam atrair uma cobertura maior da mídia.
“Os jornalistas gostam muito de tudo o que é novo e fácil de noticiar”, disse Chafuen. Segundo ele, a imprensa não tem interesse em citar o pensamento dos filósofos libertários, mas pesquisas produzidas por um _think tank_são mais facilmente reproduzidas. “E os financiadores veem isso”, acrescenta.
Em 1991, três anos depois da morte de Fisher, Chafuen assumiu a direção da Atlas – e pôs-se a falar sobre o trabalho da Atlas para potenciais doadores. E logo começou a conquistar novos financiadores. A Philip Morris deu repetidas contribuições à Atlas, inclusive uma doação de US$ 50 mil em 1994, revelada anos depois. Documentos mostram que a gigante do tabaco considerava a Atlas uma aliada em disputas jurídicas internacionais.
Mas alguns jornalistas chilenos descobriram que _think tanks_patrocinados pela Atlas haviam feito pressão por trás dos panos contra a legislação antitabagista sem revelar que estavam sendo financiadas por empresas de tabaco – uma estratégia praticada por _think tanks_em todo o mundo.
Grandes corporações como ExxonMobil e MasterCard já financiaram a Atlas. Mas o grupo também atrai grandes figuras do libertarianismo, como as fundações do investidor John Templeton e dos irmãos bilionários Charles e David Koch, que cobriam a Atlas e seus parceiros de generosas e frequentes doações. A habilidade de Chafuen para levantar fundos resultou em um aumento do número de prósperas fundações conservadoras. Ele é membro-fundador do Donors Trust, um discreto fundo orientado ao financiamento de organizações sem fins lucrativos que já transferiu mais de US$ 400 milhões a entidades libertárias, incluindo membros da Atlas Network. Chafuen também é membro do conselho diretor da Chase Foundation of Virginia, outra entidade financiadora da Atlas, fundada por um membro da Sociedade Mont Pèlerin.
Outra grande fonte de dinheiro é o governo americano. A princípio, a Fundação Nacional para a Democracia encontrou dificuldades para criar entidades favoráveis aos interesses americanos no exterior. Gerardo Bongiovanni, presidente da Fundación Libertad, um _think tank_da Atlas em Rosario, na Argentina, afirmou durante uma palestra de Chafuen que a injeção de capital do Center for International Private Enterprise – parceiro do NED no ramo de subvenções – fora de apenas US$ 1 milhão entre 1985 e 1987. Os _think tanks_que receberam esse capital inicial logo fecharam as portas, alegando falta de treinamento em gestão, segundo Bongiovanni.
No entanto, a Atlas acabou conseguindo canalizar os fundos que vinham do NED e do CIPE, transformando o dinheiro do contribuinte americano em uma importante fonte de financiamento para uma rede cada vez maior. Os recursos ajudavam a manter _think tanks_na Europa do Leste, após a queda da União Soviética, e, mais tarde, para promover os interesses dos EUA no Oriente Médio. Entre os beneficiados com dinheiro do CIPE está a CEDICE Libertad, a entidade a que líder opositora venezuelana María Corina Machado fez questão de agradecer.
O assessor da Casa Branca Sebastian Gorka participa de uma entrevista do lado de fora da Ala Oeste da Casa Branca em 9 de junho de 2017 – Washington, EUA.
Foto: Chip Somodevilla/Getty Images
_ _No Brick Hotel, em Buenos Aires, Chafuen reflete sobre as três últimas décadas. “Fisher ficaria satisfeito; ele não acreditaria em quanto nossa rede cresceu”, afirma, observando que talvez o fundador da Atlas ficasse surpreso com o atual grau de envolvimento político do grupo.
Chafuen se animou com a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA. Ele é só elogios para a equipe do presidente. O que não é nenhuma surpresa, pois o governo Trump está cheio de amigos e membros de grupos ligados à Atlas. Sebastian Gorka, o islamofóbico assessor de contraterrorismo de Trump, dirigiu um _think tank_patrocinado pela Atlas na Hungria. O vice-presidente Mike Pence compareceu a um encontro da Atlas e teceu elogios ao grupo. A secretária de Educação Betsy DeVos trabalhou com Chafuen no Acton Institute, um _think tank_de Michigan que usa argumentos religiosos a favor das políticas libertárias – e que agora tem uma entidade subsidiária no Brasil, o Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista. Mas talvez a figura mais admirada por Chafuen no governo dos EUA seja Judy Shelton, uma economista e velha companheira da Atlas Network. Depois da vitória de Trump, Shelton foi nomeada presidente da NED. Ela havia sido assessora de Trump durante a campanha e o período de transição. Chafuen fica radiante ao falar sobre o assunto: “E agora tem gente da Atlas na presidência da Fundação Nacional para a Democracia (NED)”, comemora.
Antes de encerrar a entrevista, Chafuen sugere que ainda vem mais por aí: mais think tanks, mais tentativas de derrubar governos de esquerda, e mais pessoas ligadas à Atlas nos cargos mais altos de governos ao redor do mundo. “É um trabalho contínuo”, diz.
Mais tarde, Chafuen compareceu ao jantar de gala do Latin America Liberty Forum. Ao lado de um painel de especialistas da Atlas, ele discutiu a necessidade de reforçar os movimentos de oposição libertária no Equador e na Venezuela.
Danielle Mackey contribuiu na pesquisa para essa matéria. Tradução: Bernardo Tonasse
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2017.07.27 19:56 feedreddit Rodrigo Maia é dono de escritório usado pelos grupos Odebrecht e BTG Pactual

Rodrigo Maia é dono de escritório usado pelos grupos Odebrecht e BTG Pactual
by Breno Costa via The Intercept
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Primeiro da fila para ocupar a Presidência da República caso Michel Temer tenha de deixar o cargo, o deputado e presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é dono de um escritório que foi usado por cerca de quatro anos pela Odebrecht e, atualmente, é ocupado por uma empresa do banco BTG Pactual. O aluguel de uma sala semelhante, em valores atuais de mercado, é de cerca de R$ 15 mil mensais. Ambas as empresas ganharam destaque nas páginas político-policiais nos últimos anos, na esteira de uma profunda e bilionária relação com o poder público.
Nas planilhas de controle da distribuição de propinas da Odebrecht, Maia recebeu o codinome “Botafogo”. Uma referência, em tese, ao time pelo qual torce. Por coincidência, o mesmo nome do bairro da Zona Sul do Rio onde fica a sala que serviu de base para uma filial da Odebrecht. A sala 901 tem cerca de 300 m², está bem conservada e fica no penúltimo andar de um prédio comercial antigo de Botafogo, o Edifício Santo Eugênio, na Rua Voluntários da Pátria, uma das mais movimentadas da cidade.
Pai de Rodrigo e seu “criador” político, o ex-prefeito do Rio e atual vereador Cesar Maia (DEM) manteve registrada ali, nos anos 1990, a empresa Factóides & Factóides Promoções e Marketing, em sociedade com a mãe e uma irmã de Rodrigo. Na época, contudo, a sala ainda não pertencia à família, mas a Ivan Galindo, assessor de confiança de Cesar. O ex-prefeito e sua mulher a compraram em outubro de 2002, conforme certidão do registro do imóvel.
Em julho de 2004, a Construtora Norberto Odebrecht S/A, com sede na Praia de Botafogo, registrou uma nova filial na Receita Federal. O endereço cadastrado foi a sala comercial de propriedade de Cesar Maia, na época prefeito do Rio de Janeiro. Maia, o pai, também tinha apelidos especiais na planilha secreta da Odebrecht, divulgada este ano: “déspota” ou “inca”. O filho é investigado em dois inquéritos da Lava Jato por suspeita de caixa dois e lavagem de dinheiro. Em um deles, ex-executivos e diretores da Odebrecht afirmam que o deputado recebeu R$ 100 mil da empreiteira, em outubro de 2013, para ajudar na aprovação da Medida Provisória 613, que atendia a interesses tributários de uma das empresas do grupo Odebrecht, a Braskem. Em outro, é investigado por receber ilegalmente da empreiteira R$ 350 mil em 2008, supostamente para financiar campanhas eleitorais de candidatos do DEM no Rio de Janeiro.
A Odebrecht já registrou mais de 400 filiais em todo o país, conforme registros da Receita Federal. Invariavelmente, a criação de novos registros está associada a novas obras tocadas pela empreiteira. Na maioria dos casos, embora não seja uma obrigação legal, a obra em questão vem discriminada no registro da Receita, como o “nome fantasia” da filial. No caso da unidade aberta em Botafogo, que ficava a 1,1 km do endereço da então sede da empresa, não houve essa especificação.
A empresa já havia obtido, em 2003, uma obra de grande porte junto à administração de Cesar Maia: a reforma da Avenida Brasil, ao custo de R$ 32 milhões. Mas a construtora tinha um interesse especial, como tantas outras grandes empreiteiras, pelas obras dos Jogos Pan-Americanos de 2007. A prefeitura do Rio, comandada por Maia, era responsável por parte dessas obras. A principal delas era a construção do Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão.
No início de 2005, a Odebrecht levou um contrato de R$ 144 milhões (após aditivos) com a prefeitura para tocar a segunda fase de obras no estádio. O contrato foi assinado em 4 de março daquele ano. Um dia antes, a filial da Odebrecht instalada no escritório dos Maia obteve sua Inscrição Municipal, condição necessária para a prestação de serviços.
Na época da assinatura do contrato, Cesar Maia esbanjava confiança política, a ponto de se colocar como pré-candidato a presidente da República pelo extinto PFL (atual DEM). Chegou a fazer uma caravana pelo país para se tornar mais conhecido.
O ex-prefeito Cesar Maia em campanha eleitoral no Rio em 2000Menos de dois meses depois da assinatura do contrato com a Odebrecht para as obras do Engenhão, Cesar Maia doou a sala comercial mantida em Botafogo para o filho, o deputado federal Rodrigo Maia, àquela altura ainda sem uma bagagem política relevante. A doação foi registrada, com assinatura de Rodrigo, em 27 de maio de 2005. Naquele momento, a Odebrecht era a inquilina da família Maia.
A sala comercial é a única no patrimônio de Rodrigo, segundo declaração apresentada à Justiça Eleitoral. Ele tem apenas outros dois imóveis: dois apartamentos no Rio de Janeiro, também passados a ele pelo pai, como doação. Um deles é onde vive com a mulher e os filhos.
Qualquer aluguel da sala deveria ser pago para Cesar Maia, o prefeito do Rio de Janeiro. Isso porque o pai, como doador, reservou para si o usufruto do imóvel – o que, juridicamente, significa que o aluguel deve ir para ele, e não para Rodrigo.
Mas a relação entre pai e filho sempre foi extremamente próxima. Não à toa, na última campanha eleitoral para a Câmara, em 2014, Rodrigo recebeu R$ 284 mil em doações do pai seu maiordoador.
O lobby do setor elétricoNos registros da Receita Federal e nos dados da Inscrição Municipal da Odebrecht, a filial da empresa segue ativa e ainda com a sala de Rodrigo Maia como endereço oficial. No entanto, a Odebrecht deixou de ocupar efetivamente o prédio há quase dez anos.
Outras filiais abertas pela Odebrecht desde 2004 também já fecharam suas portas e deram baixa na Receita, inclusive no Rio de Janeiro. Essa filial em específico, a de número 0070, segue ativa no papel. A empresa-mãe, por exemplo, já atualizou seu endereço, alterando sua sede para o suntuoso prédio espelhado construído pela empresa na revitalizada zona portuária do Rio de Janeiro antes do estouro da crise da Lava Jato.
A nova sede da Odebrecht fica na Região Portuária do Rio, uma das áreas que mais foram valorizadas nos últimos anos.
Foto: Luciola Villela/ Divulgação Prefeitura do Rio
Hoje, a empresa que ocupa a sala 901 do Edifício Santo Eugênio é a Tropicália Transmissora de Energia S.A. É a caçula entre um grupo de empresas do ramo energético que tem um fundo de investimentos gerido pelo BTG Pactual como controlador.
A atual inquilina dos Maia nasceu em maio de 2016, com um nome nada brasileiro: Holbaeck Empreendimentos e Participações. Sua sede era em São Paulo. Em fevereiro deste ano, recebeu uma injeção de R$ 15 milhões via três fundos controlados pelo BTG . Dias antes, em 10 de fevereiro, havia obtido seu primeiro contrato de concessão junto à Aneel: autorização para instalar uma linha de transmissão na Bahia, ao custo de cerca de R$ 370 milhões. Na sequência, em 4 de abril, a sede foi transferida para a sala de Rodrigo Maia.
Quatro andares abaixo dela funciona a empresa “irmã” Termelétrica Viana S.A. (a Tevisa). As ligações para o telefone da Tropicália registrado na Receita Federal caem, na verdade, na sala da Tevisa. Quando se pergunta pela Tropicália, a ligação é transferida diretamente, via ramal, para a secretária da nova aposta do BTG Pactual no setor elétrico.
O presidente do Conselho de Administração da Tevisa e sócio do BTG Pactual é Oderval Esteves Duarte Filho. Eleé um dos vice-presidentes da associação de lobby do setor energético, a Abraceel (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia). Até março deste ano, Oderval era o presidente da entidade, posto ocupado desde março de 2013.
Na mesma sala da Tevisa também está registrada outra companhia do BTG, a Linhares Brasil Energia Participações S.A. Um andar acima, outra empresa controlada pelo banco: a Integração Transmissora de Energia (Intesa). Essa empresa especificamente investiu R$ 520 milhões para construir mais de 600 km de linhas de transmissão de energia elétrica entre Tocantins e Goiás.
O setor elétrico está prestes a passar, após muito lobby, pela mais promissora reforma regulatória em décadas – do ponto de vista das empresas do ramo. Rodrigo Maia, tanto na posição de presidente da Câmara, como de eventualmente presidente da República, terá papel decisivo nessa discussão. A minuta da alteração do marco legal do setor foi colocada para consulta pública, pelo governo federal, no último dia 5 de julho. Entre os pontos em discussão está a “possibilidade de redução de custos de transação na transmissão”. Quando a consulta pública for encerrada, o texto seguirá para a Câmara, possivelmente em forma de medida provisória.
Abafa em CPI e palestra para executivos do BTG PactualO BTG Pactual chegou a ficar no olho do furacão da Lava Jato quando seu então acionista controlador, André Esteves, foi preso pela Polícia Federal em novembro de 2015 ao supostamente participar da operação de compra do silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Outras relações do banco com a Petrobras ainda são objeto de investigação na Lava Jato. Depois da prisão, parte dos deputados iniciou uma articulação para criar uma CPI para investigar o banco. As assinaturas necessárias para a criação da comissão foram obtidas.
Mas em julho de 2016, logo antes de Rodrigo Maia assumir a presidência da Câmara, o então presidente-tampão, Waldir Maranhão, decidiu pelo arquivamento do pedido de criação da CPI, alegando uma falha formal na coleta de assinaturas. Desde então, um recurso apresentado pelo deputado responsável pelo pedido de criação da CPI está parado, aguardando análise pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. A decisão de Maia em não promover o desarquivamento foi política, já que o recurso não chegou a ser examinado. Em fevereiro deste ano, o deputado foi um dos convidados para palestrar a executivos do BTG Pactual em conferência realizada pelo banco em São Paulo.
A fila andaComo presidente da Câmara dos Deputados, Maia comandará, na próxima quarta-feira (2), a sessão que poderá dar um passo decisivo para sua ascensão à Presidência da República. A Câmara votará a autorização para que o STF analise a denúncia que a Procuradoria-Geral da República ofereceu contra o presidente Michel Temer. Nos últimos dias, ele tem procurado desfazer, junto a Temer, rumores de que tem atuado cada vez mais diretamente para, de fato, jogar o atual presidente aos leões e assumir o Palácio do Planalto.
A denúncia de corrupção passiva contra Temer é apenas a primeira de uma série de três acusações, baseadas na delação do grupo JBS, que o procurador-geral Rodrigo Janot deverá apresentar antes de deixar o cargo, em setembro. A opção por dividir as denúncias amplifica o potencial de minar a sustentação política que mantém Temer no cargo e maximiza o desgaste do peemedebista – que deverá se articular seguidamente, e mediante constante concessão de benesses em tempos de penúria econômica, para barrar uma derrota no plenário da Câmara.
Mesmo que Temer sobreviva às acusações de crimes praticados por ele no exercício do cargo, e Rodrigo Maia permaneça como presidente da Câmara, a posição do deputado continua sendo altamente estratégica tanto para a Odebrecht quanto para o BTG Pactual.
Caso fosse presidente da República, Maia estaria sujeito à Lei de Conflito de Interesses, de 2013, que se aplica a cargos no Poder Executivo. A lei não fala explicitamente sobre relações patrimoniais, mas um de seus artigos deixa claro que configura conflito de interesses a “manutenção de relação de negócio com pessoa física ou jurídica que tenha interesse em decisão do agente público ou de colegiado do qual este participe”.
O Código de Ética da Câmara aborda tangencialmente essa questão. Um dos artigos estabelece como obrigação do parlamentar apresentar declaração de impedimento para votar sempre que houver, em comissões ou em plenário, “apreciação de matéria que envolva direta e especificamente seus interesses patrimoniais”.
“A Odebrecht não vai se manifestar”Procurados para comentar o uso da sala em Botafogo, tanto Rodrigo quanto Cesar Maia disseram não ter conhecimento sobre nada relativo ao imóvel – a única sala comercial de propriedade da família. The Intercept Brasil pediu uma cópia dos contratos de aluguel, mas eles disseram não possuir cópias dos documentos e afirmam que todos os negócios envolvendo a sala são feitos por uma administradora de imóveis do Rio.
A assessoria de Rodrigo afirmou que “não tratou de nenhuma negociação de aluguel e que não foi procurado por ninguém”. Cesar Maia disse que passou a representação do imóvel para um escritório de advocacia e que, logo em seguida, a Odebrecht alugou a sala e ficou lá até “meados de 2008”. “Os aluguéis eram pagos aos escritórios que descontavam a comissão de contrato e transferiam a nossa conta”.
The Intercept Brasil enviou diversas a Cesar e Rodrigo para que esclarecessem o uso do imóvel. A maior parte ficou sem resposta, apesar de insistência. Entre elas:
O BTG Pactual disse que não comentaria o caso, já que a Tropicália tem administração própria. O banco indicou o CEO da transmissora de energia elétrica, Marcelo Pedreira de Oliveira, para responder às questões da reportagem. Marcelo, por e-mail, escreveu que a locação “foi realizada por meio de uma administradora de imóveis, com valores de mercado e seguindo todos os trâmites legais”. TIB também perguntou a ele sobre cópia do contrato de aluguel e valor acertado, e se tinha ciência de que a sala pertence a Rodrigo Maia, mas essas informações não foram fornecidas. Sobre a instalação da Tropicália naquela sala em específico, Marcelo justificou com o fato de que outras empresas de energia do fundo do BTG já estavam instaladas no mesmo edifício.
A Odebrecht foi acionada para comentar o caso e apresentar esclarecimentos sobre o uso da sala de Rodrigo Maia na terça-feira, dia 25, pela manhã. Estas foram as perguntas enviadas para a empresa:
– A Odebrecht pagou aluguel para usar a sala? Em caso positivo:
– Em que mês e ano a Odebrecht deixou de usar a sala?
– Onde funciona hoje a filial 0070 da Odebrecht? Por que ela mantém o endereço antigo?
– A que se destina a filial 0070 da Odebrecht?
– Por que a unidade foi registrada naquele endereço específico?
– No período em que esteve na sala, a Odebrecht realizou alguma benfeitoria no imóvel? Qual(is)??
– Quando a empresa viu que o proprietário do imóvel era o então prefeito do Rio, Cesar Maia, não avaliou que poderia haver conflito de interesses?
Depois de contatos e pedidos de extensão de prazo para poder analisar melhor o caso, a empresa enviou uma nota sucinta na noite de quarta (26): “A Odebrecht não vai se manifestar”.
Foto: Rodrigo Maia no evento “Reforma Política Já!, realizado na Fiesp, em São Paulo, em junho de 2017. Suamy Beydoun/Agif/Folhapress
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